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Tsuguharu Foujita (1886 - 1968) foi um dos artistas mais reconhecidos da primeira metade do século XX. Estudou na Escola de Belas Artes de Tóquio, onde recebeu sólida formação acadêmica. Em 1913, mudou-se para Paris, integrando-se rapidamente ao ambiente cosmopolita da chamada Escola de Paris. Ali conviveu com artistas como Amedeo Modigliani, Pablo Picasso, Chaïm Soutine e Fernand Léger, tornando-se uma das figuras mais populares da cena artística parisiense dos anos 1920.

A partir de suas primeiras participações no prestigioso Salon d'Automne e no Salon des Indépendants, Foujita conquistou reconhecimento internacional por uma linguagem visual singular. Em uma época marcada pelas experiências cubistas, expressionistas e abstratas, desenvolveu um estilo próprio que conciliava a delicadeza da tradição pictórica japonesa com técnicas da pintura ocidental.

A principal característica de sua obra é o refinamento do desenho. Foujita tornou-se célebre por seus traços precisos, executados com linhas finíssimas e elegantes, inspiradas na caligrafia japonesa. Sobre fundos de tonalidade leitosa e translúcida — obtidos por meio de uma técnica própria de preparação da superfície — construía figuras de grande suavidade e luminosidade. Figuras femininas, crianças e gatos são especialmente conhecidos por essa combinação entre precisão gráfica e atmosfera poética.

Sua arte também evidencia a influência das gravuras japonesas ukiyo-e, perceptível na elegância das linhas, na simplificação das formas e na atenção aos detalhes decorativos. Incorporando elementos do modernismo europeu, o artista criou uma síntese visual inédita entre Oriente e Ocidente, fusão cultural que tornou sua obra única dentro da Escola de Paris.

No início da década de 1930 Foujita viajou pela América Latina, onde produziu obras com temáticas inpiradas nos costumes e habitantes locais e realizou exposições no Rio de Janeiro, São Paulo e outras cidades latino-americanas.

Em 1933, retornou ao Japão e realizou exposições com as obras produzidas durante sua viagem, além de realizar novos trabalhos que retomavam sua experiência na América Latina. Ele chegou a pintar um painel com temática brasileira no Café do Brasil, em Ginza, Tóquio. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, produziu obras ligadas ao contexto da atuação do Japão no conflito. Após o final da guerra, Foujita voltou a se estabelecer na França, adotando definitivamente a nacionalidade francesa em 1955. Em seus últimos anos converteu-se ao catolicismo, recebendo o nome cristão de Léonard Foujita. Sua profunda espiritualidade inspirou diversas obras religiosas e culminou na criação da Chapelle Notre-Dame-de-la-Paix, conhecida como Capela Foujita, em Reims, cuja decoração foi inteiramente concebida pelo artista.

A produção de Tsuguharu Foujita ocupa um lugar singular na história da arte moderna. Sua capacidade de harmonizar a tradição estética japonesa com a pintura europeia resultou em uma linguagem elegante e sofisticada que o tornou um dos artistas japoneses de maior projeção internacional do século XX.

Foujita na Lenach