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José do Carmo Souza, conhecido como Zé do Carmo (Goiana, PE, 1933 - 2019) é um dos mais importantes nomes da arte popular brasileira. Filho de artesãos, cresceu em contato direto com o barro e começou a modelar figuras ainda criança, aos sete anos de idade, produzindo peças que eram vendidas nas feiras da região. 

Ao longo de mais de sete décadas de atividade artística, Zé do Carmo desenvolveu uma obra singular, reconhecida em todo o Brasil e também no exterior. Em 2005, recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, reconhecimento destinado a personalidades que contribuem de forma excepcional para a preservação da cultura do estado. 

Seu estilo artístico caracteriza-se pela fusão entre religiosidade, cultura popular e imaginação criativa. Nos primeiros anos, inspirou-se nas figuras modeladas por sua mãe, retratando trabalhadores rurais, mendigos, músicos, rendeiras e personagens do cotidiano nordestino.

Posteriormente, desenvolveu sua fase mais conhecida, denominada por ele de “transfiguração humana”, na qual transformou anjos tradicionais em figuras profundamente ligadas à identidade do sertão brasileiro. Seus célebres anjos ganharam rostos de homens e mulheres nordestinos, vestimentas de beatos e cangaceiros e instrumentos típicos da cultura regional.

Entre suas obras mais emblemáticas está o famoso “Anjo Cangaceiro”, criado para ser oferecido ao Papa João Paulo II durante sua visita ao Brasil em 1980. A escultura foi considerada ousada demais para os padrões da Igreja e acabou não sendo entregue ao pontífice, episódio que contribuiu para ampliar a notoriedade do artista.

As esculturas de Zé do Carmo destacam-se pelo caráter expressivo e uma modelagem vigorosa que combina rusticidade e refinamento técnico. Sua obra transformou o barro em instrumento de afirmação cultural, criando um universo visual onde convivem o sagrado e o popular, a tradição e liberdade criativa.

Zé do Carmo na Lenach